26 de outubro de 2010

As Ruas na Literatura

POR: Rafael Vargas

As ruas do Rio também servem de inspiração para o premiado escritor Rubem Fonseca.
Abaixo, segue um pequeno trecho do conto "A arte de andar nas ruas do Rio de Janeiro", que pode ser encontrado no livro "Romance negro e outras histórias". Vale a pena.

 "Augusto, o andarilho, cujo nome verdadeiro é Epifânio, mora num sobrado em cima de uma chapelaria feminina, na rua Sete de Setembro, no centro da cidade, e anda nas ruas o dia inteiro e parte da noite. Acredita que ao caminhar pensa melhor, encontra soluções para os problemas; solvitur ambulando, diz para seus botões.
  No tempo em que trabalhava na companhia de águas e esgotos ele pensou em abandonar tudo para viver de escrever. Mas João, um amigo que havia publicado um livro de poesia e outro de contos e estava escrevendo um romance de seiscentas páginas, lhe disse que o verdadeiro escritor não devia viver do que escrevia, era obsceno, não se podia servir à arte e a Mammon ao mesmo tempo, portanto era melhor que Epifânio ganhasse o pão de cada dia na companhia de águas e esgotos, e escrevesse à noite. Seu amigo era casado com uma mulher que sofria dos rins, pai de um filho asmático e hospedeiro de uma sogra débil mental e mesmo assim cumpria suas obrigações para com a literatura. Augusto voltava para casa e não conseguia se livrar dos problemas da companhia de águas e esgotos; uma cidade grande gasta muita água e produz muito excremento. João dizia que havia um ônus a pagar pelo ideal artístico, pobreza, embriaguez, loucura, escárnio dos tolos, agressão dos invejosos, incompreensão dos amigos, solidão, fracasso. E provou que tinha razão morrendo de uma doença causada pelo cansaço e pela tristeza, antes de acabar seu romance de seiscentas páginas. Que a viúva jogou no lixo, junto com outros papéis velhos. O fracasso de João não tirou a coragem de Epifânio. Ao ganhar um prêmio numa das muitas loterias da cidade, pediu demissão da companhia de águas e esgotos para dedicar-se ao trabalho de escrever, e adotou o nome de Augusto.
  Agora ele é escritor e andarilho. Assim, quando não está escrevendo - ou ensinando as putas a ler -, ele caminha pelas ruas. Dia e noite, anda nas ruas do Rio de Janeiro."


5 de outubro de 2010

POR: Débora Vives - Grupo 7



principal avenida do bairro é grande no nome e na extensão: o endereço é quase sempre abreviado por falta de espaço, e não há pernas que aguentem percorrer seus quase 4km.

Reconhecida oficialmente pela prefeitura como via pública da cidade em 1894, ela é grandiosa também pela história que carrega. Foi palco de passeatas do movimento das Diretas Já, em 1983-84, e de manifestações. Além disso, deu passagem para blocos de muitos Carnavais e para os famosos bondes. Mesas de bares tradicionais serviam - e servem até hoje - para jogar carta, beber e jogar conversa fora.

Essas são as lembranças de Seu Zé, morador da avenida há 42 anos. O zelador, prestes a completar 70 primaveras, conta que adora os ares da Nossa Senhora de Copacabana, mas lamenta as mudanças quando olha para trás:

Seu Zé, morador da avenida há 42 anos


- No passado, a gente podia andar a qualquer hora da noite aqui na rua. Não tinha assalto, mendigo, tiroteio e violência. O pessoal se respeitava mais. Agora, a gente não pode mais fazer isso - desabafa Seu Zé.




O que se vê por lá
O movimentado mundo da Av. Copacabana faz parte do cartão-postal do bairro mais conhecido lá fora. As imagens mais comuns são as de táxis, ônibus, porteiros, estrangeiros, moradores de rua e, por incrível que pareça, gente que não mora na avenida. O pessoal chega de longe todo dia para trabalhar, ir a medico ou fazer compras.

Quanto ao cenário, casas são raridades ao longo da rua. Em geral, só existem condomínios, que ficam acima de muitas, muitas lojas. O comércio é o ponto forte da avenida. Impressiona também a quantidade de agências bancárias.

Essa enorme via parece um formigueiro e definitivamente não falta calor humano nas calçadas abençoadas da Nossa Senhora. Ela leva o troféu da rua mais acelerada, pois vive em um ritmo alucinante. "Vida express" total. Em horários de pico, fica impossível dar passos longos. À noite, nem tão bem frequentada, a avenida também não tem descanso. É a famosa "Nossa Sem Hora".

A partir das 18h, é tão iluminada quanto a Times Square de Nova York. Já de dia, em certos pontos, dá pra ver apenas alguns raios de sol que escapam entre os edifícios altos. Apesar da sombra, acredite, o calor é intenso e sufocante, como no resto da cidade. Quando cai água do céu, a Nossa Senhora fica pequena para tantos guarda-chuvas.

Ah, se essa rua fosse só minha, eu mandava fechar. Levava o trânsito para bem longe, a poluição para o lado de lá. Como pode ela ser tão perto, mas tão diferente da avenida beira-mar?

Trânsito
É o principal problema da Nossa Senhora. São mais de 2.200 ônibus e cerca de 20.000 veículos circulando na avenidade por dia. Junto com eles, vem a fumaça, o barulho e o congestionamento. Lá do 11º andar de um prédio ouve-se a poluição sonora.

Recentemente, anunciaram que a Av. Copacabana ganhará faixas exclusivas para os ônibus a partir de janeiro de 2011, monitoradas eletronicamente para impedir a invasão de carros. A intenção do projeto piloto é reduzir a frota em circulação e aumentar a velocidade dos veículos. Será que vai melhorar?

Lembranças do Seu Zé/década de 50: O bonde e a tranquilidade do trânsito
50 anos depois, o movimento!


Origem do nome do bairro e da rua
Copacabana é uma península do lago Titicaca, que fica entre a Bolívia e o Peru. Neste local, há uma capela que abriga a imagem da Virgem Maria, conhecida como Nossa Senhora de Copacabana. Mercadores de prata que vinham muito para cá trouxeram a réplica da santa para a Igreja da Misericórdia, no Centro. Mais tarde, construíram uma capela para a imagem no Forte de Copacabana. Foi em 1939, quando a rua passou a formar uma só via pública, que recebeu o nome de Avenida Nossa Senhora de Copacabana.

AV. NOSSA SENHORA DE COPACABANA - LINHA DO TEMPO

video


FONTES E PESQUISA:
BRASIL, GERSON - História das Ruas do Rio - 4ª edição. 1965
Sociedade Amigos de Copacabana e Assoc. dos Moradores Amigos de Copacabana (AMACOPA)

CALÇADAS DE NOSSAS RUAS

POR: Marcos Teixeira e Paula Antonello

Apresentação:
           Como o tema do  nosso Blog é "ruas", nada mais justo do que falar das "calçadas" de nossas ruas. Sabemos que há uma enorme variedade de desenhos, pedras e materiais diferentes que dão um toque especial e particular para cada calçada. Vamos abordar um pouco o lado histórico e no final do post colocar imagens de calçadas de todo o Brasil, com os mais diversos desenhos.
 Histórico – Herança Portuguesa
            Nas primeiras vias do Brasil, não havia calçadas, tudo era rua. As pessoas circulavam por baixo das marquizes , nas extremidades da via; na qual passava uma vala coletora pluvial no centro.
            Com o surgimento dos veículos ( carruagens, depois carros) os pedestres tiveram sua área reduzida aos cantos da rua .Por motivos de segurança e conforto, elevou-se  o nível das laterais da via , onde costumavam caminhar os pedestres, criando assim nossa conhecida calçada.
            Por longos séculos da colonização,as calçadas eram de pedra , e ,só no séc. XX com Pereira Passos, o Brasil experimentou o piso de pedra portuguesa.
            Os estudiosos portugueses atribuem a D. Manuel, rei de Portugal por ocasião dos descobrimentos, a iniciativa de pavimentar o piso em volta da Torre de Belém com seixos rolados, chamados por lá de "calhaus" rolados, recolhidos às margens do Tejo, para homenagear a chegada de Vasco da Gama há 500 anos.
            Depois do terremoto que dizimou Lisboa ao final do século XVIII, muitas casas lisboetas recorreram aos seixos para desenhar estrelas na calçada como talismã contra os tremores da terra.
            A chamada "pedra portuguesa", confome a conhecemos, em calcita branca e basalto negro, foi empregada pela primeira vez em Lisboa no ano de 1842, por presisidários, então chamados "grilhetas". A iniciativa partiu do Governador de Armas do Castelo de S. Jorge, Tenente-general Eusébio Cândido Furtado. O desenho foi uma aplicação simples, tipo zig-zag. Para a época foi uma obra de certa forma insólita que motivou versos satíricos dos cronistas portugueses e levou o escritor Almeida Garret a mencioná-la no romance O Arco de Sant'Anna.
          O sucesso foi tanto que proporcionou ao Tenente-general novas verbas para pavimentar toda a área do Rossio - seguramente a região mais conhecida, mais central de Lisboa - numa extensão de 8.712 metros quadrados. Logo, a pavimentação musiva se espalhou por toda a cidade e pelo país. As jazidas estavam disponíveis na periferia da capital portuguesa.
A preferência pelas pedras confere uma espécie de atualização ao uso comum, até pouco antes, de seixos nos átrios das casas, dos conventos e palácios. E encontra amparo erudito nos registros de mosaicos romanos, descobertos e identificados nos albores do século XIX, nomeadamente em Conímbriga, vizinha a Coimbra, o mais formidável sítio arqueológico de Portugal.
            No Brasil, a escolha de Pereira Passos para prefeito do Rio de Janeiro no albor do Século XX veio abrir um novo ciclo de desenvolvimento urbano para a cidade. Já era um homem septuagenário, havia estudado em Paris, onde bebeu da experiência revolucionária que Haussmann empreendera na cidade, após a derrota da Comuna, rasgando avenidas majestosas e dando à capital francesa a feição que guarda ainda hoje. Conhecido como o "bota abaixo", Pereira Passos arrasou com o morro do Castelo, pondo por terra cerca de 600 casas e rasgando a fórceps a chamada Avenida Central, em 1905, que seria rebatizada de Avenida Rio Branco, dois dias depois da morte do Barão, em 1912.
            Para calçar a nova Avenida, fez vir de Portugal um grupo de calceteiros portugueses e, também, as pedras portuguesas (calcita branca e basalto negro). A quantidade era enorme e, além de calçar toda a Avenida, com desenhos variados, conforme o local onde era aplicado, as pedras ainda foram calçar, em 1906, a Avenida Atlântica, construída também  por sua iniciativa, viabilizando os bairros de Copacabana e do Leme através da abertura do túnel do Leme no início daquele ano.
         As importações de pedras portuguesas efetuadas por Pereira Passos nunca mais se repetiram. Logo foram identificadas enormes jazidas próximas ao Rio de Janeiro, mas a denominação das pedras ficou. Hoje, suas extrações são variadas e espalhadas por todo o país, mas é de se destacar o Paraná como um dos maiores fornecedores.
       Em Copacabana, o desenho das ondas, imitando o mar, ficou para sempre com a cara do bairro, tornando-se um logotipo internacional. O desenho foi trazido pelos calceteiros portugueses, mas não tinha então a volúpia curvilínea que se nota hoje.
            As curvas das pedras de Copacabana só ganhariam os contornos mais delineados que têm hoje a partir de 1970, com o aumento da faixa de areia e o alargamento das pistas da orla.
      O paisagista, artista plástico e mosaicista Roberto Burle Marx foi chamado a refazer o calçamento de toda a extensão da Avenida e teve o bom gosto de manter o desenho original, apenas acentuando as curvas numa forma ainda mais sensual que o projeto de 1906. Não é, propriamente, o autor do desenho, porque o novo design já fora empregado pelos próprios portugueses em outras calçadas de Lisboa, inclusive na pavimentação externa, do pátio do chamado Padrão do Descobrimento, próximo à Torre de Belém.
      Burle Marx inovou no calçamento interno, fazendo uso de pedras portuguesas de três cores - branco, preto e vermelho - com as quais desenhou no chão aquelas composições plásticas características de sua telas, com inspiração acentuada nos padrões cromáticos indígenas.  O paisagista pode ser considerado como um grande mosaicista contemporâneo.
FOTOS DE CALÇADAS COM DESENHOS DIFERENTES:
     Calçada em São Paulo
       Campus de uma Faculdade - Brasil
        Palhoça - Santa Catarina  
              Praia Grande, Macau
      Praia Grande, Macau
           Vila Isabel, Rio de Janeiro
              Vila Isabel, Rio de Janeiro
            Calçada de Pedra Portuguesa - Brasil
            Calçadas de Pedra Portuguesa - Brasil

Fonte Bibliográfica:

 Texto dos alunos: Ellis Santos Pacheco e Ricardo para a disciplina de Tecnologia I ministrada pelo professor Anderson Claro.

As Ruas e a Música - Vol. 2

POR: Paula Antonello, Marcos Teixeira

RUA AUGUSTA

A Rua Augusta é um dos eixos mais cosmopolitas da cidade de São Paulo. Lá convivem brasileiros de todas as condições sociais, estrangeiros de inúmeras origens, comércio de variadíssimas espécies. Há lojas alternativas e há lojas chiques, há casas de má famas e há teatros elitistas. Quem atravessa a rua de uma ponta à outra experimenta todas as vertentes do Brasil urbano.

As primeiras referências da Rua Augusta, importante via arterial da cidade de São Paulo, começam por volta de 1875, onde a rua foi chamada primeiramente de Rua Maria Augusta. Em 1897 foi batizada oficialmente de Rua Augusta, nome que permanece até os dias atuais. A rua liga os Jardins ao centro da urbe paulista. Desde seu início na rua Martins Fontes com a rua Martinho Prado até o cruzamento com a Avenida Paulista é uma subida, e a partir desse ponto começa a descer até o seu término na Rua Colômbia, que nada mais é do que a continuação da via, só que com outro nome.

Atualmente, o trecho da rua que vai do início até o cruzamento com a Avenida Paulista conta com a presença de boates, saunas e casas de espetáculos, sendo um dos pontos de meretrício da cidade. O restante de sua extensão é formado por bancos, lojas, boutiques de alto nível, teatros, restaurantes de luxo e cinemas, o que dá a essa parte da rua um aspecto mais nobre e sofisticado.

A Rua Augusta foi parte das terras do português Mariano Antônio Vieira, dono da Chácara do Capão desde 1880, quando abriu várias ruas no Bairro da Bela Sintra, inclusive a Rua Real Grandeza, atual Avenida Paulista. Resolveu abrir uma trilha, pois os caminhos eram muito íngrimes, para posteriormente serem instalados bondes puxados por burros, em 1890. Apenas em 1891, com a inauguração da luz elétrica, foram movidos com eletricidade. Entre 1910 e 1912 ela foi estendida até a Rua Álvaro de Carvalho, ficando oficial em 1927. Até 1942 a Rua Martins Fontes fazia parte da Rua Augusta. A Rua Augusta aos poucos virou um grande ponto de prostituição, ocasião em que foi desmembrada. Do lado oposto, em direção aos "Jardins", o seu prolongamento até a Rua Estados Unidos foi oficializado em 1914.

Sobre o nome "Augusta", tudo leva a crer que o responsável pela abertura da rua, o português Mariano Antônio Vieira, não quis homenagear uma pessoa e sim aplicar algo com um título de nobreza.

A Rua Augusta representou para os jovens dos anos 60 glamour e diversão. A partir da década de 70 começou a se adaptar às mudanças, dado o pesado tráfego de automóveis e ônibus e a criação de inúmeras galerias e centros comerciais, aliados à falta de estacionamentos.

A Rua Augusta ficou tão conhecida, que famosos resolveram gravar uma música sobre a rua. Segue abaixo a letra da música, junto com o vídeo do grande cantor Raul Seixas.


Entrei na Rua Augusta

A 120 por hora
Toquei a turma toda
Do passeio prá fora
Com 3 pneus carecas
Sem usar a buzina
Parei a quatro dedos
Da esquina
Falou!
Vai! Vai! Johnny
Vai! Vai! Alfredo
Quem é da nossa gangue
Não tem medo...(2x)
Meu carro não tem breque
Não tem luz
Não tem buzina
Tem 3 carburadores
Todos os 3 envenenados
Só pára na subida
Quando falta a gasolina
Só passa se tiver
Sinal fechado
Tremendão!
Vai! Vai! Johnny
Vai! Vai! Alfredo
Quem é da nossa gangue
Não tem medo...(2x)
Toquei a 130
Com destino a cidade
No Anhangabaú
Botei mais velocidade
Com três pneus carecas
Derrapando na raia
Subi a Galeria Prestes Maia
Tremendão!