30 de novembro de 2010

Rua da Matriz


POR: Juliana Alarcão

Localizada em Botafogo, bairro da Zona Sul da Cidade do Rio de Janeiro. Ganhou esse nome devido à Igreja São João Batista da Lagoa, construída no séc. XIX exatamente de frente para a Rua da Matriz.
É uma rua que em sua maioria é constituída por prédios residenciais, super tranqüila. Por ali passam todos os dias moradores da Comunidade Dona Marta e estudantes de escolas particulares, como o QI e a Escola Britânica. 
Nos horários de pico a rua fica um pouco tumultuada devido à saída das escolas e o tráfego intenso da São Clemente, uma das principais ruas do bairro. Parte de seu Patrimônio Histórico ainda se mantém preservado: ainda existem sobrados, que hoje abrigam comércios.
O final da rua é quase na entrada  da comunidade Dona Marta, que foi ocupada pela policia em 19 de dezembro de 2008 e desde então a sensação de paz e segurança está mais presente na vida dos moradores do famoso bairro.
Tumulto na Rua da Matriz só mesmo graças ao barulho das buzinas nos horários de maior movimento.

Rua do Catete

POR: Marco Antonio

O catete é um bairro da zona sul do Rio de Janeiro caracterizado por suas nuances comerciais/residências,
 


Haja vista seu forte comercio, tanto formal como informal



Sendo constituído por população residencial majoritariamente da classe média. A história do bairro teve inicio no período colonial, precisamente em meados de 1575, quando o então governador Antonio de Salema teve a iniciativa de construir uma ponte sobre o Rio Carioca no local atualmente a Praça José de Alencar – primeira ponte da cidade – chamada de Ponte de Salema,cobrando pedágio aos passantes oriundos das partes que margeavam o rio, naquele local, os brancos pagavam um preço, já burros, cavalos e escravos pagavam outros valores, essa ponte existiu até cerca de 1870.
Da ponte de Salema até o Largo do Machado, existia somente o caminho que era denominado catete. Já em sentido contrario do Largo do Machado até a Glória, o local era deserto possuindo pequenas chácaras e muito poucas casas, e este mesmo caminho era conhecido como: Caminho que vai da Glória ao Catete. Posteriormente generalizou-se possuindo este nome em toda sua extensão, o que até hoje persiste, ou seja, Rua do Catete. O nome Catete, em tupi significa mato fechado.
O bairro abriga o palácio do catete, antiga sede da presidência da republica do Brasil, atualmente convertido no museu da República. Por conta do Palácio, o bairro abrigava até a Década de 1960 varias embaixadas e consulados. Os outros dois museus são Museus do Folclore e o das Telecomunicações.





Os jardins do palácio do catete são extremamente bem cuidados oferecem à população do bairro área de lazer para as crianças com segurança.







Curiosidades:
O termo “catete” designa uma espécie de milho miúdo também conhecido como “batité” (termo tupi que se origina da junção de) aba´ti [milho] e e´tê [verdadeiro]
O bairro já foi dos mais nobres da cidade antes da transferência da capital da cidade do Rio de Janeiro para BrasíliaO catete é adjacente à Glória, Laranjeiras, Santa Tereza e ao Flamengo

http://www.midialocal.com/bairros/2/catete

Babilônia

POR: Álvaro Maciel Júnior



BABILÔNIA
Minha rua é na verdade minha comunidade, que tem como acessos a Ladeira Ary Barroso e até chegar a minha casa, Rua do Rosário e Rua Santo Amaro.
Portanto, contarei um pouco da história da ocupação deste território.
A comunidade da Babilônia, no Leme, foi ocupada em princípio para abrigar os soldados que faziam a vigilância da entrada da Baía de Guanabara no alto do morro da Babilônia.
A comunidade que recebe o mesmo nome da cadeia de montanhas que a abriga, foi acompanhando o fluxo dos poços e nascentes de água, o que acabou com a chegada do encanamento e o sistema de abastecimento e distribuição de água. Com isso a comunidade da Babilônia expandiu e aumentou sua densidade demográfica, chegando moradores principalmente de Minas Gerais e do Nordeste do país. Eles mantinham a piscicultura como uma das principais fontes de sobrevivência e exerciam pequenos biscates para conseguir dinheiro em Copacabana.
Hoje, o morro da Babilônia é uma área de proteção ambiental e abriga animais silvestres e espécies raras de plantas e flores. Seus moradores, que viveram tempos de horríveis episódios de violência e terror com o tráfico de drogas, vivenciam a experiência positiva da terceira UPP – Unidade de Polícia Pacificadora – na cidade.
Eu não conseguiria falar de uma rua da comunidade, pois tem poucos elementos, mas a comunidade é riquíssima em visual e histórias de vida. De forma que também não moro na Ladeira Ary Barroso, mas esta sim seria considerada a minha rua pois de onde ela acaba para cima, é a minha casa.


NOME
A origem do nome da Comunidade abriga duas versões mais utilizadas, uma é que os soldados achavam que o local era tão bonito que inspirava aos jardins Suspensos da Babilônia com uma vista privilegiada sobre o mar Atlântico. A outra versão é de que um bar na região, perto da estação de bondes, vendia uma cerveja com o nome de Babilônia.


BIBLIOGRAFIA:
Site Correspondentes da Paz
AMB – Associação de Moradores da Babilônia.
Leme – Viagem no tempo ao fundo da noite – Arthur Poerner

Rua André Cavalcanti

POR: Juliana Marques Alves


A minha nova rua é essa aí da placa: R André Cavalcanti. E, por mais que cause estranheza, sua escrita é com “i”. Quando li na minha conta de luz, pensei: “puxa, que erro grave!”, mas estou me acostumando com essa ideia. A André Cavalcanti é uma rua enorme começando na Rua do Rezende e terminando em uma das entradas de Santa Teresa. O morador daqui pode ficar meses sem fazer outra coisa a não ser descer e curtir... aqui mesmo!


Vou descrever o que há somente na primeira quadra por ser a mais importante do local (é claro! Eu moro na primeira quadra!!): são dois salões de cabeleireiros, um aviário (local bem antigo, desde os azulejos até as galinhas que esperam ansiosas para virarem um bom prato!), uma relojoaria com artigos antigos, uma loja que tem de tudo bastante conhecida como armarinho e uma papelaria cujo dono tem o atendimento mais familiar que alguém poderia encontrar em uma...papelaria!
Além disso, são três bares “do Peixe” com pesca fresca, cerveja gelada e atendimento bárbaro (principalmente o meu querido “Peixe do Meio”, mais conhecido como Bar do Peixe), uma pizzaria grill – o Dom Maior-, uma tinturaria e lavanderia “das antigas”, um estabelecimento de materiais de construção e outro de reparos e venda de móveis antigos, duas lojas de roupas, uma marcenaria e outra loja de móveis.

Neste pequeno pedaço tem de tudo!

O frango na brasa!!

Acabou? Imagine só?!! Jamais poderia deixar de dizer que ainda há um pet shop com banho e tosa e entregas em domicílio, outro bazar e papelaria com loja de brinquedos, o Centro de Pesquisa do INCA, um restaurante self-service, outro com frango na brasa – o Dom Galeto-, uma vídeo locadora, o pequeno e lotado “Galeto” que vende o filhote na brasa, o Sindicato dos Trabalhadores do Comércio do Rio de Janeiro, uma ótica, mais um restaurante –Dom Cavalcante - que serve um ótimo café da manhã e uma feijoada de primeira e, para finalizar de fato, uma lanchonete “do China” (não poderia faltar o pastelão!!)!.
Esses dois últimos estabelecimentos ficam na esquina (um de cada lado) da “André” com a antiga Rua Mata-Cavalos (época de D João VI, nos anos seguintes a 1808), atualmente Rua do Riachuelo (minha antiga rua!). Segundo alguns cronistas, seu simpático ex-nome foi por ser um caminho cheio de barrancos que cansava muito os animais do local desde o seu começo junto aos Arcos até o seu final na Lagoa da Sentinela, onde começava a estrada de Mata-Porcos, hoje batizada de Rua Frei Caneca. Por aqui, tudo era manguezal, pântano, lago e barro. Será que isso explica um pouco a falta de vazão para as águas pluviais? O bairro é muito bom... sem chuva!
“Quando não tinham ainda sido aterrados os manguezais para que D. João VI mais facilmente viajasse entre o Paço da cidade e São Cristóvão, era do Caminho de Mata-Cavalos que os cariocas mais se utilizavam para chegar à zona norte e às estradas que levavam ao interior do Brasil – Colônia”. E mais: “(...) A história da Rua do Riachuelo está de tal maneira ligada à de Santa Teresa, que é possível dizer precisamente que o morro tem esse nome por acontecimentos em sua extensão”.

E na esquina do "lado de lá..."

Puxa! O comércio é tão farto na primeira quadra da André que quase me esqueço do “outro lado”: há um Bob’s na esquina! Pois é! E “lá pra lá” tem escola municipal, lava - rápido, venda de gelo, bares e até uma boate GLS!

 O começo do outro quarteirão preservou o estilo colonial

 Rua André Cavalcanti até a subida para Santa Teresa

Ainda bem perto da André (uma quadra acima, em frente ao atual mercado Mundial), está a Rua Monte Alegre (antes Visconde de Monte Alegre, em homenagem ao jornalista, político e Primeiro Ministro Costa Carvalho, conhecido em Mauá por suas primeiras iniciativas progressistas) que tinha quase na esquina com a do Riachuelo, uma cachoeira corrente onde o povo podia tomar banhos frios a duzentos réis.


Era em uma chácara grande que se tornou famosa e talvez tenha sido a de José Antonio Alves do Souto, onde havia um pequeno jardim zoológico – o “jardim zoológico do Souto”. 
 

E falando um pouco mais sobre as redondezas, vou focar a rua que dá nome ao bairro. Até tirei uma foto melhor cujo nome da avenida aparece sem faltar qualquer letra, mas escolhi essa para ilustrar o ar bucólico do local. Em meio a selva de pedras na qual se transformou a Riachuelo, existe a Av Nossa Senhora de Fátima, uma rua sem saída e que de avenida, só tem o nome.


Nela, o comércio é bem gastronômico e cachaçal (neologismo, leitores!), já que até a padaria do local vende cerveja e, por sinal, muito gelada com um atendimento excelente. Há também um colégio municipal, uma loja de móveis e roupas para crianças, uma sorveteria simples e aconchegante, agências do banco Itaú e Banco do Brasil, uma loja onde vendem os sapatos mais caros da Terra e a multinacional Elevadores Atlas Schindler. Chegando próximo à Rua Riachuelo, encontramos o restaurante Arábia, a loja de R$ 1,99, o Sabor Perfeito – a pizzaria “bamba” da região e o melhor lugar para comer bolo caseiro-, a Glup Glup – sorveteria e lanchonete que passou por uma reforma e ficou com “cara de Mundo Verde” e, finalmente, o Big Bi, aberto vinte e quatro horas – exceto às segundas. 
 
Essa rua sem saída possui, lá no final, uma praça (Praça Presidente Aguirre Cerda) com um santuário de Nossa Senhora de Fátima. Seus primeiros moradores eram imigrantes portugueses que aproveitaram o fato do local ser próximo ao centro e via de acesso às zonas norte e sul. Morar no bairro é caro e tem fila de espera tanto para alugar quanto comprar. Dizem que Grande Otelo, Camen Miranda, Tarcísio Meira, Agnaldo Timóteo e até o Silvio Santos já moraram por ali, mas eu, como fonte de informação, afirmo somente a presença da ilustre Roberta Close.



Mas... o que diria o grande D. João VI ao passar por essa nova Mata-Cavalos?


 

Ao invés de mata, mangue e sacodes na carruagem devido ao terreno acidentado, ele encontraria um monte de prédio, trânsito pesado, supermercados como o Multimarket, Extra e Mundial, Casa Show, Cacau Show, Boticário, Casa & Vídeo, Americana Express, três bares com mesas ótimas para jogar uma sinuca (a melhor fica bem perto do Big Bi!!) e duas baladas ótimas: Lapa 40° e Democráticos (ah, e láááá pra trás, perto da antiga Mata-Porcos, hoje Frei Caneca, o jornal O Dia!).


Tanta história contada, mas... e essa tal de André Cavalcanti? Devo dizer que não faço ideia do porquê foi aberta, qual era seu nome, o que tinha aqui antes e por que foi feita tal homenagem. Descobri a Mata-Cavalos, Mata-Porcos, as histórias da Carlos Sampaio e da pequenina Tadeu Kosciusko, R do Rezende, Inválidos, Mem de Sá, até mesmo o antigo nome de Santa Teresa, que era morro do Desterro e uma curiosidade sobre a Rua Buenos Aires, no centro, que antes era Rua do Hospício porque esse nome, diferente do sentido atual, era dado aos lugares que recebiam viajantes: os albergues.
Soube, também, que o Largo do Machado tem esse nome porque havia um machado fincado em um açougue do local, Santa Bárbara é padroeira dos trabalhadores com explosivos e o nome do túnel foi em homenagem a santa e aos mortos em sua construção, e que o Mengão já teve sua sede onde ficava o Paissandu Cricket Clube (final do Oitocentismo), final da Paissandu, em frente ao Palácio Guanabara.
Mas a André...Tivemos um prefeito chamado Amaro Cavalcanti. Seria parente do André? O Padre Diogo de Feijó derrotou, em 1835, o nortista Holanda Cavalcanti nas eleições para a regência. E esse Cavalcanti se tornou, mais tarde, Visconde de Albuquerque. Seria este da família do homenageado na minha rua? Ou seria o próprio, já que encontrei algumas frases falando sobre um André Cavalcanti d'Albuquerque formado em Direito no Recife onde foi promotor e, mais tarde, eleito deputado, nomeado juiz do Distrito Federal, ministro do Supremo Tribunal Federal e, em 1924, presidente do STF? Não, não. Acho que não. Conflito de datas!
Bem, como futura jornalista, seguirei pesquisando e aceitando qualquer tipo de informação sobre o caso da Rua André Cavalcanti! Qualquer ajuda será bem-vinda e, até a próxima!


Bibliografia
www.wikipedia.com.br
BRASIL GERSON, História das Ruas do Rio
4ªedição – editora Brasiliana

Mulheres homenageadas com nome de rua na Grande Tijuca

Por Thyana Azevedo

A Historiadora Lili Rose Cruz Oliveira, autora dos livros Tijuca de Rua em Rua, Vila Isabel de Rua em Rua e O Vale das Laranjeiras pesquisou diversas ruas na Grande Tijuca com nomes de mulheres e procurou saber quem são elas, suas histórias e o porque dos seus nomes serem, hoje, nomes de ruas. Segue abaixo texto escrito por Lili Rose encontrado no site http://www.tijuca-rj.com.br.

Quando comecei minha pesquisa para o livro Tijuca de Rua em Rua, não esperava ter tanta dificuldade em escrever sobre a vida das mulheres aqui homenageadas, com destaque para as antigas moradoras e personalidades ilustres da sociedade da época. Ao final do trabalho, pela inexistência de documentação disponível, não fui bem sucedida em apenas três casos: Travessa Matilde (Rua Bom Pastor – sem saída), Rua Dulce (Rua Almirante Cochrane – sem saída) e Rua Jocelina Fernandes (Rua Dezoito de Outubro – Rua Paulino Nogueira). Um resumo do que aprendi segue nas linhas abaixo.

Alice Maia (Travessa) foi esposa de Joaquim Leal Maia, proprietário de uma grande  chácara, no final do século XIX, na área que hoje corresponde ao Tijuca Tênis Clube.

Já Alzira Brandão (Rua) foi moradora no local onde fica a rua que a homenageia.

Por sua vez, a Rua Santa Carolina foi uma homenagem, realizada no século XIX, do morador que abriu a rua, José Raphael de Azevedo Junior, à sua mãe, Dona Maria Carolina.

Em 1911, o Dr. João Victorio Pareto Junior (1880-1937) abriu algumas ruas em suas terras, dentre elas a Rua Santa Sofia, em homenagem à sua avó, Sophia Augusta de Vasconcellos Caldas. Tal senhora nasceu em 17 de setembro de 1860, na cidade de Miranda, Mato Grosso, filha do Dr. José Caldas e de Guilhermina Maria da Conceição de Vasconcellos, vindo a falecer no Rio de Janeiro, em 01 de fevereiro de 1934. Além disso, o Dr. Pareto homenageou sua esposa, Dona Hilda, com a praça de mesmo nome. Hilda do Valle de Carvalho nasceu em Cantagalo, no Estado do Rio de Janeiro, em 14 de outubro de 1903 e faleceu no dia 13 de julho de 1983.

O português José Rufino Vasconcelos, proprietário de uma chácara na Rua Conde de Bonfim, perenizou a memória da sua esposa na Rua Dona Delfina. Diz a literatura que nessa chácara se introduziu o cultivo das rosas Paul Néron e Príncipe Negro no Brasil.

Marciliana Lacerda (Travessa), apesar de ter vivido no bairro de Vila Isabel, onde se destacou pela atuação em obras assistenciais, foi homenageada numa pequena via que começa na Rua José Higino. Outra pessoa que se destacou pela ajuda aos necessitados foi Palmira Gonçalves Maia (Rua), que participou ativamente da Primeira Igreja Batista do Rio de Janeiro. Sua intensa ação junto às comunidades carentes tornou-a muito popular nos bairros da Tijuca, São Cristovão, Catumbi e Vila Isabel.

No Alto da Boa Vista, foram homenageadas as moradoras Dona Rita Costa (Rua) e Dona Castorina (Estrada). Dona Castorina de Oliveira Castro foi mãe de José Mendes de Oliveira Castro, o Barão de Oliveira Castro, um abastado negociante e capitalista, falecido no dia 10 de Janeiro de 1896.

Carmela Dutra (Rua) não morou na Tijuca, mas tornou-se conhecida por ser esposa do Presidente da República Eurico Gaspar Dutra. Nascida no Rio de Janeiro, em 17 de setembro de 1884, Carmela casou-se com o tenente Dutra, em 1914, já viúva e mãe de dois filhos, vindo a falecer em 1949.

A Rua Maria Amália começa na José Higino e termina na França Junior. Maria Amália Vaz de Carvalho nasceu em 01 de fevereiro de 1847 e faleceu em 23 de abril de 1921.

Autodidata e apaixonada por livros, essa portuguesa de Lisboa foi escritora, tradutora, jornalista, poetisa, educadora e feminista. Colaborou com diversos jornais em Portugal

e no Rio de Janeiro (aqui durante mais de 30 anos). Casou-se com o poeta Antônio Cândido Gonçalves Crespo, também homenageado com nome de rua no bairro. É uma pena que as ruas estejam tão distantes uma da outra, pois o casal era muito apaixonado…

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Praia do Flamengo: história e evolução

POR: Pedro Mendes

 Praia do Flamengo era disputada pelos banhistas no início dos anos 50

 Parque do Flamengo: expansão da cidade e modelo paisagístico realizado por Burle Marx

Antes de ser conhecida como a Praia do Flamengo já havia sido do Sapateiro, e da Carioca ou da Aguda dos marinheiros, ou ainda Sapoicaitoba, que no linguajar dos índios significava lugar onde se brada. Ainda no começo da República, ela foi excelência de praia para banhos de mar das famílias cariocas.  
A origem do nome da praia vem da primeira invasão holandesa à cidade em 1599. Como o desembarque holandês ocorreu na praia, que era anteriormente chamada Praia do Sapateiro, ela passou a ser chamada "Praia do Flamengo". Oficialmente, "flamengo" designa o natural da região belga de Flandres, porém, na época, existia uma confusão entre os termos "holandês" e "flamengo".        
Mais perto do centro que Botafogo, famoso há mais de um século na crônica social do Rio, o Flamengo só mais tarde a partir 1.800 virou num bairro residencial de alta categoria. O bairro foi prestigiado pela iniciativa do presidente Kubitscheck, que inaugurou a Avenida D. Henrique ligando a Esplanada do Castelo ao Morro da Viúva, mas os planos de legalização só teria forma definitiva com Lacerda. Em meados de 1963 entre Botafogo e a Esplanada foi construído o maior e variado parque, projetado pelo paisagista e urbanista Burle Marx.
 A riqueza vegetal é a principal característica do Parque do Flamengo, que atrai muitas aves. Para a travessia das pessoas, foram construídas passarelas com curvaturas suaves e levemente assentadas sobre as pistas expressas. As passarelas aéreas são também alternadas com passagens subterrâneas sob viadutos. As avenidas internas que cortam o parque são fechadas ao tráfego nos domingos e feriados, das 7h às 18h, o que permite seu uso frequente em competições de ciclismo, corridas a pé e caminhadas.

Grandes Histórias pra Rua Simples

POR: Eduardo Guedes

Você se lembra do Chico Cheese? E do Montana Grill? Já olhou para a luxuosa concessionária AGO – Mercedes? Então você conehce minha rua. Ela chama-se Jornalista Henrique Cordeiro. Está localizada na Barra da Tijuca, na altura do km 1 da Avenida das Américas, entre esta e o Canal de Marapendi, próxima a ponte Lucio Costa, único acesso à praia nas proximidades. Apesar de a Barra ser considerada um bairro construído para o automóvel, esta simples rua tem seus charmes e encantos, é verdade que não conta com nenhum morador ilustre, mas todos são pessoas simples e solidárias.
É uma rua pequena, com apenas 408 metros de extensão e 12 metros de largura incluindo as calçadas, sem saída e poucas edificações. Todas as construções residenciais estão do lado par da rua, uma vez que os terrenos do lado ímpar têm a frente principal para a Avenida das Américas, assim, as calçadas do lado esquerdo quase nunca são utilizadas.
Existem edificados 8 prédios residenciais, da década de 1990, todos com 22 andares, a maioria com 2 blocos, o que torna a rua bastante povoada, para seu curto trecho. Há ainda o Centro Educacional da Lagoa, o que torna o trânsito da pequena rua, caótico no horário de entrada e saída dos alunos.


No nº 180 está um dos acessos à área denominada de “Bosque Marapendi”, que é uma área verde e livre, de uso de todos os edifícios que compõem a Associação Bosque Marapendi.
Esta rua anteriormente era conhecida como Rua C do PAL 29820, e foi reconhecida como “Jornalista Henrique Cordeiro” pelo Decreto Municipal N- 16461 de 03 de fevereiro de 1998, homenageando a personalidade que foi um jornalista paraense, membro do Partido Comunista, integrante da diretoria da ABI e um batalhador político na luta contra a ditadura na década de 1970.
A história mais trágica da Henrique Cordeiro é conhecida nacionalmente e um exemplo clássico da impunidade contra os “poderosos” que impera no país: Em 22 de fevereiro de 1998 madrugada de sábado de carnaval, ocorrem dois grandes estrondos. E cai por terra o edifício Palace II, provocando a morte de oito pessoas, além de deixar 150 famílias desabrigadas. A Construtora SERSAN, empresa em que Sérgio Naya era acionista principal, construiu o edifício e foi acusada pelo Ministério Público por supostamente ter usado material barato e de baixa qualidade na construção do prédio.


Naya, condenado inicialmente pelo crime de desabamento, ficou preso apenas 137 dias. Embora tenha sido condenado a pagar indenização a todas as famílias, protelou ao máximo,e até a sua morte em 2009, algumas permaneciam sem pagamento.
Outras ruas na região da Barra da Tijuca e Recreio dos Bandeirantes também receberam nome de jornalistas famosos, como Ricardo Marinho (Barra), Carlos Castelo Branco e Armando Nogueira (Recreio).

O Jornalismo sob Nossos Pés.

POR: Eduardo Guedes

É claro que o Jornalismo é nossa vida. Para quem estuda e faz isso, nada mais interessante do que uma história. Ainda mais se for uma história de um próprio Jornalista. As homenagens da nossa cidade para os jornalistas que marcaram a história são muitas, e infelizmente essas mesmas nem sempre são felizes.
Temos a infeliz história do ilustre jornalista Tim Lopes, que foi esquartejado e queimado pelos traficantes da favela Vila Cruzeiro, ao ser descoberto filmando a venda de drogas e exploração sexual de crianças num balei funk do local. A repercussão desse crime bárbaro repercutiu no Brasil inteiro, levando a morte ou prisão de um a um dos envolvidos no crime, inclusive um dos grandes chefes do Comando Vermelho, o Elias Maluco.
Uma das únicas ruas da Zona Sul com nome de jornalista, a Orlando Dantas fica em Botafogo. Ela homenageia o guerreiro escritor sergipano. Vindo de família rica e política, Dantas dirigiu indústrias antes de se destacar como jornalista e intelectual, fundou em 1956 o jornal Gazeta Socialista e veio a ser deputado estadual em 1946. Foi presidente do Banco do Estado de Sergipe, participou da criação da Petrobrás e escreveu muitos ensaios sobre a economia sergipana como a “Vida Patriarcal de Sergipe”.
A Jornalista Carlos Castelo Branco é uma pacata Rua do Recreio na Zona Oeste do Rio, diferente do personagem que dá nome ao logradouro. Castelinho como era chamado, foi formado em Direito, mas dedicou-se ao Jornalismo em grande parte da sua vida. Foi chefe sucursal do Jornal do Brasil e lá passou grande parte de sua carreira profissional, onde produziu uma coluna política que permaneceu por décadas.
Para terminar nas graças do divino, citarei um dos meus (e de muitos outros) jornalistas preferidos. O mestre Armando Nogueira. Quem nunca leu uma frase desse gênio? Ou não lembrou das suas crônicas ao passar pelo Maracanã? Se Deus fez Pelé com o dom da bola, colocou em mesma proporção o talento para Armando escrever.
Foi um craque desde cedo, nasceu em Xapuri, interior do Acre (mesma cidade de Chico Mendes), mas jogou-se aos ventos e veio ser escrito na Cidade Maravilhosa. Se me permitem o trocadilho, fez história com as próprias mãos. Escreveu sobre política, economia, sociedade, mas sua paixão era o esporte e principalmente o futebol. Há quem diga que se a bola tivesse mãos, ela escreveria como Armando Nogueira. E eu concordo com isso.
A cidade ainda está repleta de ruas com nomes de jornalistas, mas não caberia contar aqui todas essas estórias. Cabe a nós preservamos essa bela cultura e quando olharmos para uma placa com um nome desses, sempre imaginar que podemos ter uma igual daqui a muitos anos.

Abaixo o nome de algumas ruas com nome de Jornalistas ilustres do País:

ARMANDO NOGUEIRA - RECREIO
CARLOS CASTELO BRANCO - RECREIO

TIM LOPES - BARRA
HENRIQUE CORDEIRO - BARRA
RICARDO MARINHO - BARRA
PIERRE PLANCHER - BARRA

ORLANDO DANTAS - BOTAFOGO

SEBASTIÃO SANTANA - CAMPO GRANDE
SABINO DE LEMOS - CAMPO GRANDE

ANTÔNIO FREITAS - JARDIM AMÉRICA
GERALDO ROCHA - JARDIM AMÉRICA

JORNALISTA GUIMA - ALTO DA BOA VISTA
SAMUEL WAINER - SANTÍSSIMO
HUNGRIA - NILÓPOLIS
HERMANO REQUIÃO - GUADALUPE
HUNGRIA - NILÓPOLIS
MOACYR PADILHA - JARDIM PRIMAVERA - DUQUE DE CAXIAS
MARQUES LISBOA - REALENGO
LUIZ EDUARDO LOBO - VARGEM PEQUENA
MÁRIO LISBOA - PAVUNA

SÉRGIO PORTO - SANTA BARBARA - NITERÓI
IRINEU MARINHO - ICARAÍ - NITERÓI
RAMIRO CRUZ - PIRATININGA - NITERÓI
ALBERTO FRANCISCO TORRER - ICARAÍ - NITERÓI
SARDO FILHO - ILHA DA CONCEIÇÃO - NITERÓI
NEWTON BRAGA MELLO - ITAIPU - NITEROI
RAMIRO CRUZ - PIRATININGA - NITERÓI
ALBERTO FRANCISCO TORRER - ICARAÍ - NITERÓI

Rua Farani

POR: Cíntia Garção

A pequena rua possue imóveis que funcionam hoje como estabelecimentos comerciais 

Grande parte da arquitetura da Farani foi preservada 

A Rua Farani, no bairro de Botafogo, é aquele tipo de rua que todos conhecem de nome, que serve de referência para localizações rápidas. A não ser quem mora pela região. Ou, por quem estuda em alguma das universidades do bairro e faz um stop lá para a confraternização do dia, junto dos amigos.
Pequena, ela começa na Praia de Botafogo e termina lá em cima, na Rua Pinheiro Machado, já no iniciozinho do bairro das Laranjeiras. Logradouro curioso. Na Farani rola uma mistura do feio com o bonito, do antigo com o moderno, do alternativo com o popular.

Aberta em 1872 por Domingos Farani, joalheiro.
A primeira tentativa de ligar os bairros de Botafogo e Laranjeiras e deu-se através de uma comunicação aberta entre a Rua Farani e a antiga Rua Guanabara (a atual Pinheiro Machado), para servir a uma linha de bondes puxados a burro, conforme contrato firmado pelo Governo Imperial, em 28 de março de 1883, mas somente na administração do Prefeito Marechal Bento Ribeiro Carneiro Monteiro, em agosto de 1914, realizaram-se as obras.

Ao adentrar a Rua Farani, a primeira impressão que se tem é de que se trata de uma rua sombria. Uma explicação: apesar da localização privilegiada, grande parte da arquitetura da Farani não foi modernizada.  Assim, lojinhas populares, como óticas, salões de beleza e farmácias passam a competir em espaço com os bares - verdadeiros pontos de encontro da galera universitária na região.

Em Botafogo existem muitas universidades. Só ali no entorno da Farani está a Fundação Getúlio Vargas, a IBMR, a FACHA (Hélio Alonso) e, por fim, a Universidade Santa Úrsula, mais lá pra cima, na Pinheiro Machado. O perfil jovem, de mochila nas costas, que circula pela Rua Farani é marcante, assim também como muita gente bem alinhada e de diferentes idades. Como o público é variado, os restaurantes não poderiam faltar. Ainda na primeira quadra, entre a Praia de Botafogo e a Rua Barão de Itambi, têm muitos sobrados antigos que foram restaurados e hoje abrigam restaurantes.  

Muita lama e esgoto a dois quarteirões da praia

POR: Bruno Carelli

Só o caminhão da COMLURB se atreve a encarar o esgoto e a sujeira da rua EW, na praia da Macumba


Muita lama e esgoto a dois quarteirões da praia

Quem estiver passando pela praia da Macumba, no final do Bairro do Recreio dos Bandeirantes, curtindo o seu bonito visual ou usufruindo de seus movimentados quiosques, jamais irá imaginar que por trás dessas grandes belezas, existem ruas completamente intransitáveis, ainda de terra batida, causando grande mal estar entre os moradores, e até impedindo a passagem em alguns precários locais nos dias de chuvas torrenciais.
É do conhecimento dos cariocas que o bairro foi urbanizado recentemente, há cerca de apenas vinte anos, e particularmente, a praia da macumba ainda carece de boa infra estrutura. Como a minha rua (Av. 3W), muitas outras da região se encontram na mesma condição, transparecendo ser normal viver num lugar abundante de esgoto e muito lamaçal. Ainda mais se tratando de um dos IPTU´s mais caros da cidade, apesar do bairro seguir crescendo, desenfreadamente.
No caso da minha rua, a apenas dois quarteirões da praia, por incrível que possa parecer, mas o local está constantemente imundo, e cheio d´água, impossibilitando até a banhistas passarem por tal caminho, obrigando-os a dar uma enorme volta, até um banho de mar.
Como a foto acima pode mostrar, em alguns trechos da pequena rua com aproximadamente 100 metros de extensão, só um caminhão (e da COMLURB) é capaz de transpor tantos obstáculos.
Alô novos governantes, o Recreio precisa de melhores cuidados!

Em frente ao quiosque do surfista Rico vemos esse exemplo de descaso

Rua Humaitá

POR: Rodrigo Cévolo Brandão de Carvalho

Eu moro na Rua Humaitá, ela fica entre a Rua Jardim Botânico, São Clemente e Voluntários da
Pátria. Com certeza é uma das ruas mais movimentadas do Rio, muita gente que mora na na Zona Norte
ou na Barra da Tijuca passa por aqui, assim se instala o inferno do Humaitá nas horas do rush.

Quando a noite começa a cair, o trânsito para, literalmente, ninguém anda e olha que são quatro
pistas. De um tempo pra cá, inventaram de criar uma pista extra, mas não adiantou tanto assim.

Um mundo de ônibus passa por aqui e até pouco tempo atrás todos eles paravam (ou melhor,
quando param, alguns adoram passar bem na quarta pista, penso que o motorista deve fazer de
sacanagem) no mesmo ponto, era uma confusão, a noite, eu já não enxergo direito, então pra pegar ônibus
errado não custa muito. A poucos dias atrás melhorou um pouco, criaram mais um ponto, agora metade
dos ônibus param no mesmo ponto e a outra metade para alguns metros atrás, mas alguns continuam fiéis
a quarta pista, só pra tirar uma com o pessoal que está esperando por eles.

Eu não moro de frente para a rua, se morasse eu ficaria maluco, o barulho do trânsito faz
qualquer monge perder a cabeça.


Mas a Humaitá não é só o trânsito, temos aqui uma noite muito boa, graças a Cobal, é ali que a
galera costuma se reunir, eu iria falar que é pra fazer uma social, mas é pra beber mesmo. Tem as turmas
de faculdade, os que estão saindo do trabalho, todo mundo bebendo. Isso durante a noite, porque durante
o dia, funciona uma feira ali dentro. De vez em quando tem até baiana vendendo acarajé.

Aqui também tem um quartel dos bombeiros, mas quem toma conta mesmo da rua é o Antônio
Conselheiro, um Mendigo, isso, com “M” maiúsculo. O cabelo é um dread beeeem mal feito, barbão, tão
magro que parece até que só é feito de cotovelo, costela, joelho e canela, se fosse jogado numa jaula de
leões, não serviria de comida, só de palito de dentes, a roupa parece até do tipo de mulher, o que menos
tem é pano, isso quando ele veste direito e não deixa nenhuma parte indevida para todo mundo ver, se
aquilo não é atentado ao pudor, então eu não sei o que é.

Ele faz tipo uma patrulha nas lixeiras, eu só o vejo saindo de uma lixeira pra outra, não deixa
passar uma. Este é Antônio Conselheiro, talvez, o maior símbolo atual desta rua, toda vez que saio na rua
vejo este ser, vejo mais ele que os meus vizinhos.

PS: O verdadeiro nome dele é um enigma, talvez nem ele saiba, Antônio Conselheiro foi um
apelido que meus amigos e eu demos a ele. Também não postei nenhuma foto dele aqui, pois o dito
cujo disse que só pagando direitos “tutorais”, tenho pra mim que ele quis dizer “direitos autorais”, mas
se eu já nem preciso pagar pra ver as fotos das meninas da Playboy, sem chance de pagar pro Antônio
Conselheiro.

Ah, antes que eu me esqueça. Por quê Humaitá? Foi uma homenagem aos brasileiros que lutaram
na Guerra do Paraguai, no Forte Humaitá. E o que significa Humaitá? Ai depende, em tupi guarani
é “agora a pedra é negra”, em tupi é “papagaio pequeno”.

Rua Teresa

POR: Lorran Feital

Ponto da moda e muito mais

Misturada de intrinsecamente à história de Petrópolis, a história da Rua Teresa chega a se confundir com a da cidade. Nos primórdios da formação de Petrópolis, no século XIX, chegava-se à então Fazenda do Córrego Seco, no alto da Serra da Estrela, pela Estrada Normal da Estrela, início do caminho para o ouro de Minas Gerais.

Fazenda do Córrego Seco

Ao quarteirão que dava acesso da Serra da Estrela à nova cidade foi dado o nome de Vila Teresa, em homenagem à esposa de Pedro II, a imperatriz Teresa Cristina. Até a inauguração da atual estrada Rio - Petrópolis, em 1928, a única forma de se chegar ao centro da cidade era através da já conhecida Rua Teresa.

Testemunhando desde o início o desenvolvimento econômico do município, a Rua Teresa foi a primeira via a receber tráfego de veículos de tração animal, cavalos, bondes e automóveis. Sem contar a ferrovia, que começou a correr paralela à rua em 1883 e levou para Petrópolis as oficinas da Leopoldina Railway e a Serraria Faulhaber, que forneceu janelas e portas para o Palácio Imperial.

Estrada de Ferro de Petrópolis

Hoje a Rua Teresa é um orgulho da tradição de indústria têxtil da cidade, além de ser conhecida nacionalmente como um shopping de dois quilômetros a céu aberto com preços de fábrica. E a proximidade com o centro histórico faz com que as compras sejam obrigatoriamente acompanhadas de visitas ao Museu Imperial, à Catedral de São Pedro de Alcântara, ao Palácio de Cristal e outros pontos turísticos da cidade.

Rua Teresa
A indústria têxtil em Petrópolis teve seu auge no final do século XIX e início do século XX. Foi responsável, inclusive, pelo crescimento demográfico em bairros como Bingen, Cascatinha, Morin e Alto da Serra, onde existiam vilas operárias.
Mas entre as décadas de 50 e 60 a atividade começou a enfrentar o declínio, com o fechamento de fábricas e a geração de desemprego. O know-how adquirido pelos ex-operários fez com esses começassem a montar suas pequenas confecções. E as garagens de suas casas na Rua Teresa se tornaram os pontos de venda.

Dois ou Ararajuba?

POR: Lorran Feital

Em 09 de setembro de 1594, Salvador Correia de Sá doou como sesmarias as terras existentes entre a restinga da Tijuca e Guaratiba – o que corresponde hoje à toda a baixada de Jacarepaguá - aos seus dois filhos, Gonçalo e Martim de Sá. Martim ficou com a área à leste da lagoa de Camorim, abrangendo, entre outras, a região de Taquara. Por vias de curiosidade, Taquara é uma espécie de bambu, utilizado em cercas e na fabricação cestos, abundante naquela região, o que acabou sendo signo daquela região.

O Largo da Taquara tornou-se um importante entroncamento de estradas irradiadas para diversas direções: a de Guaratiba (atual Bandeirantes), a do Tindiba, a da Taquara (atual Av. Nelson Cardoso), a do Rio Grande e a Rodrigues Caldas. Em torno do Largo, um núcleo urbano se estabeleceu, interligando-se aos engenhos e fazendas vizinhas como a do Engenho Novo (atual Colônia Juliano Moreira), a do Rio Grande, o Engenho Velho da Taquara (na Boiúna) e, principalmente, a fazenda da Taquara, de Antonio de S. Payo. O Juiz de Órfãos, Francisco Teles Barreto de Meneses, se tornou proprietário da fazenda no século XVII, que foi depois passada para seus descendentes Ana Maria Teles de Meneses, casada com Francisco Pinto da Fonseca, e o filho deles, Francisco Pinto da Fonseca Teles, que se tornaria o Barão da Taquara.


Administrando a fazenda desde 1864, o Barão expandiu seus domínios, adquirindo terras em Jacarepaguá que correspondem, além da Taquara, às localidades do Tanque, Rio Grande, Mato Alto, Praça Seca, Campinho, etc. Tal prestígio lhe rendeu a amizade do casal imperial, que sempre se hospedava na Sede da Fazenda. O Barão realizou obras públicas, construiu escolas e ergueu capelas, sendo considerado o “Patriarca de Jacarepaguá”.


A partir da década de 1970, surgiram diversos loteamentos ao longo das estradas Rodrigues Caldas, do Rio Grande, do Cafundá, da Boiúna, Mapuá, Outeiro Santo e André Rocha, como o Jardim Shangrilá e o Jardim Boiúna, entre outros.

Um deles, localizado na Estrada do Mapuá, 350, é um conjunto de dezesseis ruas que, na época do loteamento foram designadas com simples números. Desde a Rrua Um à Rua Dezesseis. Com o passar dos anos e o crescente fluxo de novos moradores nas dezesseis ruas desse loteamento, surgiu a necessidade de nomeá-las. Seja para melhor identificá-las ou uma necessidade de registro das ruas o fato é que os novos nomes foram certamente dados por grande fã de pássaros.

Colibri, Beija-flor, João-de-barro, Sabiá-laranjeira e Ararajuba fora alguns dos nomes escolhidos para representar as dezesseis ruas. Conheço pouco da Rua Ararajuba, minha residência há pouco mais de um ano. Mas uma coisa posso dizer: procure pela Rua Dois.